Login | SITEMAP | FAQS

Science & Society | News | Helena Cavaleiro recebe Bolsa da Organização Europeia de Biologia Molecular

Helena Cavaleiro recebe Bolsa da Organização Europeia de Biologia Molecular

A jovem investigadora do ICVS tem o seu projeto de doutoramento reconhecido com uma Bolsa de Curto Prazo da Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO na sigla em inglês), permitindo-lhe juntar-se à equipa da Drª. Elisa Zanier no Instituto Mario Negri durante três meses.


“É muito importante e foi uma excelente oportunidade para mim. É extremamente gratificante fazer esta parte do doutoramento com a equipa da Drª. Elisa, adquirindo conhecimentos a nível prático e teórico que depois posso transpor para o nosso grupo”, comenta Helena Cavaleiro. A também estudante de doutoramento está no ICVS desde 2019, onde está a estudar as células estaminais mesenquimatosas encapsuladas em biomateriais como uma terapia para o traumatismo crânio encefálico.

Mesenquimais pode ser o segredo


As células mesenquimatosas já foram nomeadas como “células do futuro”, mas o que têm de tão especial? Fácil acesso é uma das mais valias. “São células muito importantes e que já revelaram um grande poder terapêutico. Estas células libertam fatores de crescimento que vão ajudar na regeneração provocada pelo trauma”, explica Helena Cavaleiro. A investigadora acrescenta ainda que estas células podem ser adquiridas de humanos, aproveitando as células “desperdiçadas” de uma lipoaspiração ou do cordão umbilical, por exemplo.


Estas células estaminais já mostraram resultados positivos, em estudos nos quais revelaram um alto poder regenerativo. “E nós queremos usar estas células para parar a degeneração após um trauma crânio encefálico, causado por acidentes, que se dão facilmente nas nossas tarefas diárias” diz a jovem formada em Bioquímica, acrescentando o exemplo: “Num acidente de carro, que atinge a cabeça é provocada uma lesão nas células cerebrais, a que chamamos traumatismo craniano. Depois, esse trauma induzido diretamente pelo impacto mecânico, progride ao longo do tempo, impedindo o funcionamento normal do nosso cérebro, trazendo consequências a nível psicológico e locomotor. Não há ainda nenhuma terapia capaz de travar esta degeneração. O que nós propomos é utilizar as células mesenquimatosas e os fatores que elas libertam de forma a parar a progressão desta doença”.


Como responder aos “como” e “porquê”


O projeto de Helena Cavaleiro procura ainda responder aos “como” e “porquê” destas células: “como é que atuam, o que modificam, como promovem a regeneração ou a diminuição da inflamação”. Através disto a investigadora espera encontrar uma forma de minimizar os efeitos degenerativos resultantes do impacto após acidentes de carro, quedas ou dos impactos frequentes na cabeça em jogadores de râguebi, por exemplo, formas comuns de ter lesões cerebrais traumáticas.


Para isso, a tarefa do seu projeto de doutoramento, com a qual foi premiada pela EMBO, inclui um modelo 3D da zona cerebral – neste caso o córtex - que replica e “mimetiza de uma forma simplificada toda a complexidade por detrás do trauma, permitindo-nos descobrir aqui alguns dos mecanismos”.


“Já foi mostrado o poder terapêutico destas células, mas ainda não sabemos ao certo quais são os mecanismos por detrás deste efeito. E este modelo permite-nos uma análise mais direcionada, por ser simples, mas ao mesmo tempo ter toda a composição celular do córtex cerebral”, conclui a investigadora.


O projeto, no qual é orientada por António Salgado do ICVS, é feito em parceria com a Stemmatters, no qual David Learmonth e Rui Sousa a apoiam. Em Itália, no Mario Negri Institute for Pharmacological Research, Helena Cavaleiro terá orientação de Elisa Zanier.

Copyright © 2012-2016 ICVS. All rights reserved.