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AFINAL, OS HUMANOS FORAM “HIPERCARNÍVOROS” DURANTE DOIS MILHÕES DE ANOS

Uma equipa de investigadores, com Raphael Sirtoli da Universidade do Minho, conseguiu reconstruir a nutrição dos nossos antepassados da Idade da Pedra. A sua nutrição dependia de grandes animais para mais de 70% das suas calorias e ajudaram à extinção destes animais (como mamutes, por exemplo). Apenas na história evolutiva da humanidade os vegetais começaram a ser mais proeminentes na nossa alimentação.
Esta nova investigação, que inclui o investigador do ICVS da Escola de Medicina, dá um novo ângulo ao paradigma existente. Através de vários pontos de evidência científica e a análise de investigação específica já publicada (em biologia, metabolismo ou genética) foi possível concluir que os humanos foram predadores – com animais de grande parte entre as “vítimas”.

A equipa, que inclui Miki Ben-Dor e Ran Barkai da Universidade de Telavive, publicou os resultados deste trabalho no Yearbook of Physical Anthropology.

”Descobrimos que para contra a história da experiência humana e da sua alimentação, temos de olhar para vários aspetos da questão. Não podemos olhar só para fósseis, não podemos olhar para isótopos estáveis, para a composição dos ossos, genética. Temos de olhar para tudo em simultâneo e encontrar lógica em cada observação”, explica Raphael Sirtoli. E foi isso que esta equipa fez, olhando para mais de 20 indicadores que permitiram avaliar qualitativamente a nossa dieta e a evolução da nossa dieta. “A nossa observação mostrou que quando olhamos para a dieta dos primatas, quanto maior o cérebro que temos, mais energia temos de procurar na comida – e isto sugere animais, gordura e proteínas no caso dos humanos”, explica. “Também temos estômagos muito acídicos, com um PH muito baixo, e isto significa que podemos comer fruta que talvez não seja tao limpa, tão fresca. Isto permitiu-nos caçar grandes presas e conservar a comida por dias e continuar a comê-la – e os outros animais não o fazem”, conclui, para abordar dois dos aspetos mencionados no trabalho.

E era sempre assim? Não. “Quando havia uma temporada ou estação em que os animais eram escassos, usávamos temporariamente tubérculos ou frutas. Tínhamos uma flexibilidade incrível, mas o nosso alimento preferido e o que comíamos realmente (porque o pudemos ver nos resquícios dos ossos) é uma elevada quantidade de comida de fontes animais – ovos, peixe, carne”.

“Na nutrição ainda há muita pseudociência e é importante que haja mais ciência e mais pesquisa, para podermos ter melhores perguntas e, assim, melhores respostas”.

Raphael Sirtoli é francês e veio parar a Braga em busca de maior experiência laboratorial – e encontra-a no ICVS. O investigador, que está a concluir o doutoramento em Ciências da Saúde, está integrado no grupo de investigação de João Bessa e Luísa Pinto, através de uma Bolsa Marie Curie. O foco dos seus trabalhos é a nutrição e a saúde mental, procurando perceber como a alimentação pode melhorar ou piorar alguns transtornos.


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