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ANTÓNIO SALGADO: “PRETENDEMOS ANTECIPAR O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE PARKINSON”

António Salgado é um dos investigadores selecionados no concurso Caixa Health Research 2020, da Fundação LaCaixa. O cientista do ICVS, da Escola de Medicina, está inserido num projeto conjunto com o INL e a Universidade de Aveiro para desenvolver terapias mais eficazes no combate à doença de Parkinson, coordenando uma equipa constituída por Bárbara Pinheiro, Ana Marote, Sofia Domingues, António Salgado, Aline Fernandes, Fábio Teixeira, Sandra Barata-Antunes.
Em que consiste o projeto Diamond4Brain?
Este projeto Diamond4Brain nasce da parceria entre o INL, liderado pela Jana Neider, o ICVS, liderado por mim, e a Universidade de Aveiro com uma equipa liderada pelo Ramiro Almeida. O objetivo do projeto é usar nanodiamantes, ou seja, nanopartículas de diamantes - partículas muito pequenas abaixo dos 150 nanómetros -, para perceber ou antecipar a forma como os neurónios que estão envolvidos na doença de Parkinson, os neurónios dopaminérgicos, começam a morrer, a degenerar.

Com isto, o que pretendemos é antecipar o diagnóstico da doença. Se conseguirmos, com esta tecnologia, perceber a partir de que ponto é que estes neurónios começam a degenerar, podemos criar uma tecnologia que permita ter um diagnóstico precoce.

O que nós vamos fazer para chegar a esse ponto é estudar um conjunto de parâmetros da biologia celular dos neurónios, por exemplo as variações térmicas das células ou os seus campos magnéticos. E estes parâmetros vão-nos permitir a falta de viabilidade destas células quando são afetadas pela doença.

E que impacto é que pode ter nos doentes afetados pela doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é um problema particularmente grave, é a segunda doença neurodegenerativas com maior prevalência, a seguir à doença de Alzheimer. E tipicamente só consegue ser diagnosticada quando já há um número de morte considerável dos neurónios dopaminérgicos.

O que esta tecnologia, que pretendemos desenvolver neste projeto, pode fazer é antecipar o tempo do diagnóstico e com isso desenvolver terapias mais eficazes que as terapias correntes. Antecipando, e podendo intervir do ponto de vista terapêutico mais cedo, provavelmente vamos evitar uma morte mais acentuada dos neurónios e é possível que os problemas, que inicialmente são essencialmente motores, não apareçam.

Inclusive nas condições de vida…

Obviamente. Isso depois vai ter um impacto nas condições de vida. Todos conhecemos as implicações da doença de Parkinson na qualidade de vida dos doentes e as limitações que causa. E isto pode ter impacto não só na qualidade de vida dos doentes, mas também dos familiares, que são normalmente o sistema de apoio destes doentes.

E qual é o papel do ICVS neste projeto?
Dentro deste consórcio de três parceiros, e tendo sido aprovado no campo das Tecnologias Facilitadoras, o nosso papel é testar estes nanodiamantes desenvolvidos pela equipa do INL num ambiente in vitro.

Mas em vez de fazermos isso em células cultivadas numa placa de petri, num formato bidimensional, vamos estudar isto em estruturas a que chamamos de brain organoids ou em português “mini-cérebros”. No fundo, são estruturas que conseguimos obter a partir da diferenciação de células pluripotentes induzidas e que imitam a estrutura e desenvolvimento do cérebro naturalmente.

Ou seja, em vez de termos neurónios isolados, vamos ter neurónios e outro tipo de células do cérebro a juntarem-se de forma tridimensional e a formar uma estrutura que representa, de certo modo, um cérebro em formação. A informação que vamos extrair deste sistema é muito mais precisa do que só utilizando um tipo de células e bidimensional.

O nosso corpo é tridimensional e tudo o que conseguimos fazer desse modo vai aproximar os modelos de bancada à doença e ao paciente.

Esta técnica tridimensional é uma técnica recente?
É uma técnica que estabelecemos nos últimos dois anos aqui no laboratório. Foi inicialmente descrita, em 2013 ou 2014, por um grupo inglês.

Nós fizemos algumas alterações e temos agora uma estrutura, um “mini-cérebro”, que se aproxima mais das características da doença de Parkinson. E é por isso que achamos que é uma ferramenta bastante útil para estudar este tipo de tecnologias e que pode permitir uma avaliação dos resultados mais eficaz do que a cultura de células.

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