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Investigadores do ICVS avisam que a evolução do vírus da COVID-19 pode afetar o diagnóstico

 

Uma equipa da Escola de Medicina da Universidade do Minho e do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde identificou mutações nos genomas de SARS-CoV-2 que podem ter implicações importantes no diagnóstico do vírus causador da COVID-19.

A publicação na revista científica The Lancet Infectious Diseases, da autoria de Nuno Osório e Margarida Correia-Neves mostra que algumas das mutações identificadas no SARS-CoV-2 afetam locais usados no diagnóstico por PCR e que, se não fossem descobertos, poderiam tornar o método de diagnóstico por PCR menos eficaz.

"Verificámos que algumas das mutações existentes podem afetar os resultados obtidos no diagnóstico por PCR", explica Nuno Osório, um dos autores deste trabalho. "Em relação a outros possíveis impactos das mutações para o sucesso do vírus, ainda é muito difícil saber se estará a evoluir para se tornar mais ou menos transmissível ou para evitar o nosso sistema imune."

O estudo publicado analisou 1825 genomas sequenciados de SARS-CoV-2 alojados na Global Initiative on Sharing All Influenza Data. A análise a estes genomas demonstrou que com uma das ‘sondas‘ em uso existe a possibilidade de ineficácia no diagnóstico do novo coronavírus de até 14% das variantes de vírus em circulação, reforçando a necessidade de otimizar os ensaios. Esta probabilidade de ineficácia foi encontrada devido a três mutações presentes em vírus de 24 países, incluindo Portugal.


"Em geral, o vírus ainda não mudou muito e a maioria dos isolados clínicos sequenciados em circulação são bastante semelhantes entre si. Isto pode sugerir que, apesar de ser um patógeno muito recente, o vírus revela uma grande adaptação ao hospedeiro humano. Os dados existentes sugerem que não é dos vírus mais rápidos na sua capacidade de alterar o genoma, no entanto, o facto de poder evoluir mais lentamente que outros vírus e ainda ter relativamente poucas mutações, não implica que algumas dessas mutações não sejam relevantes", indica Nuno Osório, investigador da Universidade do Minho.

O cientista, especializado em microbiologia, nota ainda que "é muito importante que o esforço de sequenciação seja mantido, pois vai permitir que possamos continuar a monitorizar de perto a evolução do vírus e adaptar o diagnóstico, futuro tratamento e prevenção aos desafios que as mudanças do vírus nos podem trazer".

 


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