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Fátima Carneiro: “Era (e é) um desafio o melhor conhecimento da biopatologia do cancro gástrico”

Patologista mais influente do mundo em 2018 e uma referência na área oncológica, num percurso que começou no cancro da tiróide, mas foi no cancro do estômago que se especializou. A investigadora do IPATIMUP e professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto está esta segunda-feira, 17 de maio, no Ciência Falada às 13h. A transmissão será em direto na página de Facebook do ICVS.

Em 2018, na sequência da distinção como patologista mais influente do mundo, diz que já é um grande benefício se“contribuir para que as pessoas percebam que a patologia é uma área do conhecimento e da atividade médica que precisa de ser sustentada”. Ainda sente que é pouco valorizada?

A distinção que me foi atribuída em 2018 teve para mim um significado especial (deixado o orgulho para trás): permitiu tornar mais visível a Patologia Portuguesa no cenário internacional (na sequência aliás da atribuição da mesma distinção ao Professor Manuel Sobrinho Simões em 2015, ele sim o grande motor da projeção da Patologia Portuguesa); contribui também, como o disse anteriormente, para dar pública nota da relevância da Patologia com Especialidade central na prática da medicina, atualmente enriquecida pela Patologia Molecular.

De onde surgiu o interesse pelo cancro do estômago– a sua principal área de investigação?

O interesse pelo cancro do estômago data dos tempos do doutoramento e foi em grande parte motivado pela dimensão do problema. Trata-se de uma neoplasia muito prevalente (a 5ª mais frequente em todo o Mundo, ocupando o 4ª lugar como causa de morte).Era (e é) um desafio o melhor conhecimento da biopatologia do cancro gástrico, na procura de meios que permitam o diagnóstico precoce da doença e a identificação de fatores/biomarcadores de prognóstico e/ou preditivos da resposta terapêutica (dirigida a alvos moleculares, imunoterapia, etc), sempre no domínio da translação para a prática clínica.

A atenção ao cancro hereditário surgirá depois. Como é que se dá esse foco e que importância terá atentarmos nestas questões de hereditariedade?

O interesse pelo carcinoma hereditário tornou-se o dominante mais tarde, fruto do enorme privilégio que foi ter participado ativamente na identificação das alterações morfológicas dos dois tipos principais de cancro hereditário do estômago. E sim, este assunto reveste-se de grande importância não só no referente aos indivíduos que se apresentam clinicamente com cancro hereditário do estômago (muitas vezes em fase avançada da doença), mas também pela necessidade de identificação dos portadores das alterações genéticas em fase assintomática. A estes podem oferecer-se medidas profiláticas de tratamento (nomeadamente cirurgias profiláticas) e de vigilância, com ganhos substanciais para a vida dos indivíduos/famílias assim como para o Serviço Nacional de Saúde (é mais fácil e mais barato prevenir/tratar precocemente do que enfrentar a enorme sobrecarga,também económica, associada ao tratamento de cancros avançados).


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