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Science & Society | News | O microbioma previne e prevê. Investigação do ICVS demonstra pela primeira vez o papel do microbioma em infeções respiratórias fúngicas

O microbioma previne e prevê. Investigação do ICVS demonstra pela primeira vez o papel do microbioma em infeções respiratórias fúngicas

O estudo coordenado por Cristina Cunha, investigadora da Escola de Medicina da UMinho, éo primeiro a revelar estes resultados em infeções respiratórias fúngicas –estudando especificamente a aspergilose pulmonar invasiva, infeção fúngica responsável pela morte de mais de 100 mil pessoas por ano em todo o mundo.  

O trabalho da equipa do ICVS da Escola de Medicina, publicado na Thorax, uma das revistas com maior impacto internacional em medicina respiratória e cuidados intensivos, centra-se no papel do microbioma pulmonar – e aqui entramos no centro dos resultados.

O que é um microbioma? Comunidades de micro-organismos (sobretudo de bactérias, mas também vírus e fungos) existentes no nosso corpo, e ao qual tem sido atribuído um importante papel protetor, em várias patologias. Agora, esta equipa da Universidade do Minho, torna visível o papel que o microbioma pode ter quer a prevenir a doença, quer a prever o prognóstico de cada paciente.

“O estudo do microbioma, quer intestinal quer pulmonar, ganha cada vez mais importância uma vez que tem sido demonstrado que alterações no microbioma podem modelar a nossa resposta imunitária e a nossa suscetibilidade à doença”, explica Cristina Cunha.

“O que nós quisemos demonstrar pela primeira vez foi que alterações no microbioma são um fator de risco para o desenvolvimento desta doença, da aspergilose pulmonar invasiva. Não só demonstramos que estas alterações estão na base desta suscetibilidade, mas que também somos capazes de identificar o resultado destes doentes. Ou seja, se o doente tem uma diversidade diminuída [do microbioma pulmonar] quando desenvolve a infeção, a probabilidade deste doente morrer é muito mais elevada”, esclarece a investigadora.

“As doenças crónicas respiratórias são um problema cada vez maior na nossa sociedade. E as infeções fúngicas oportunistas destacam-se, tendo em conta o número crescent de doentes imunocomprometidos ou em cuidados intensivos. Se pensarmos que as taxas de mortalidade associadas a estas infeções são atualmente superiores a 30%, torna-se ainda mais relevante fazer investigação nesta área, na tentative de identificar alternativas terapêuticas”.

A equipa de Cristina Cunha foi a primeira a conseguir prever o prognóstico de doentes com aspergilose pulmonar invasiva com base em perfis do microbioma pulmonar, demonstrando opapel deste na regulação da resposta imunitária de cada doente.

O trabalho, agora publicado na Thorax, teve início em 2018, e foi desenvolvido em colaboração com os Hospitais Universitários de Leuven na Bélgica, um centro de referência mundial em doenças respiratórias, e o Centro de Supercomputação de Barcelona em Espanha.


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